CFOP: O QUE É E COMO FUNCIONA EM CASO DE DEVOLUÇÃO

Publicado em: 17 de fevereiro de 2023

Entre os
códigos que mais geram dúvidas para aqueles que emitem nota fiscal (NF) é o
Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) .



O CFOP, presente nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) e outros documentos
fiscais, é um código composto por quatro dígitos utilizado para identificar
operações e prestações, além de dizer se a NF terá de recolher impostos.

Além disso, é por meio do CFOP que se consegue identificar se uma nota fiscal
tem relação a uma compra, venda, devolução, transferência, entre outros tipos
de operação.

Assim, o código do CFOP define se a nota fiscal recolhe ou não tributos, além
de informar se haverá movimentações de estoque e financeiras que sejam de
interesse do Fisco.

Um ponto importante a ser mencionado é que há diferentes tipos de CFOP, que
separam as notas fiscais por tipo, de entrada ou saída, região da operação,
finalidade e também ao tipo de produto ou serviço.

Com relação a parte burocrática, o CFOP tem grande importância para o Projeto
SPED, definindo quais operações foram realizadas para cada NF-e emitida,
estabelecendo as bases para a tributação.

Funcionamento
O CFOP pode ser conferido em uma tabela emitida, mantida e atualizada pela
Secretaria da Fazenda (Sefaz) de cada Estado.

A função é justamente padronizar os documentos fiscais por todos os Estados e
cidades do Brasil.

É por esse motivo que o CFOP é encontrado em vários tipos de documentos
fiscais, tais como:

● Manifestos;
● Notas fiscais;
● Livros fiscais;
● Conhecimento de Transporte (CT-e).

Uma
aplicação na prática do CFOP pode ser vista pelo consumidor final, quando
pesquisa por um determinado produto e encontra ofertas iguais em diferentes
fornecedores, que também têm preços distintos. Um dos motivos são os impostos
relacionados ao produto.

Os tributos mudam, a depender dos processos empregados por uma empresas para
adquirir um produto, o que pode ter a ver com o CFOP.

Dessa forma, o CFOP funciona como uma mecanismo de padronização dos processos de
entrada e saída de mercadorias das empresas, com o objetivo de cobrar os
tributos de maneira correta.

CFOP de devolução
No CFOP de devolução, a operação deverá refletir a classificação da nota de
origem.

Assim, o CFOP de devolução 1.201 é aplicável se a nota de saída tiver sido
classificada como “venda de produção do estabelecimento”.

Como saber o código correto do CFOP?
1. Identificar o CFOP de devolução correto é entender o tipo de devolução
que será feita. Assim, verifique:

Será devolvido uma venda realizada ou uma compra efetuada?
A devolução será dentro do Estado, para outro Estado ou para o exterior?
Para receber uma devolução de venda realizada, o CFOP iniciaria com:

Código 1: entrada e/ou aquisições de serviços dentro do Estado;
Código 2: entrada e/ou aquisições de serviços de outros Estados;
Código 3: entrada e/ou aquisições de serviços do exterior.
Caso a empresa precise devolver uma nota fiscal, terá o primeiro dígito sendo:

Código 5: saídas ou prestações de serviços dentro do Estado;
Código 6: saídas ou prestações de serviços para outros Estados;
Código 7: saídas ou prestações de serviços para o exterior.
2. Identificando a categoria certa

Confira a tabela para saber qual a categoria correta do que está sendo
desenvolvido:


Tipo

Categoria

Descrição

1

200

Devoluções
De Vendas De Produção Do Estabelecimento, De Produtos De Terceiros Ou
Anulações De Valores

1

400

Entradas
De Mercadorias Sujeitas Ao Regime De Substituição Tributária

1

500

Entradas
De Mercadorias Remetidas Para Formação De Lote Ou Com Fim Específico De
Exportação E Eventuais Devoluções (Ajuste SINIEF 09/2005)

1

550

Operações
Com Bens De Ativo Imobilizado E Materiais Para Uso Ou Consumo

1

650

Entradas
De Combustíveis, Derivados Ou Não De Petróleo E Lubrificantes (Ajuste SINIEF
9/2003 a Partir 01.01.2004)

1

900

Outras
Entradas De Mercadorias Ou Aquisições De Serviços

2

200

Devoluções
De Vendas De Produção Do Estabelecimento Ou De Terceiros Ou Anulações De
Valores

2

400

Entradas
De Mercadorias Sujeitas Ao Regime De Substituição Tributária

2

500

Entradas
De Mercadorias Remetidas Para Formação De Lote Ou Com Fim Específico De
Exportação E Eventuais Devoluções (Ajuste SINIEF 09/2005)

2

550

Operações
Com Bens De Ativo Imobilizado E Materiais Para Uso Ou Consumo

2

650

Entradas
De Combustíveis, Derivados Ou Não De Petróleo, E Lubrificantes (Ajuste SINIEF
9/2003)

2

900

Outras
Entradas De Mercadorias Ou Aquisições De Serviços

3

200

Devoluções
De Vendas De Produção Própria, De Terceiros Ou Anulações De Valores

3

250

Compras
De Energia Elétrica

3

500

Entradas
De Mercadorias Remetidas Com Fim Específico De Exportação E Eventuais
Devoluções

3

550

Operações
Com Bens De Ativo Imobilizado E Materiais Para Uso Ou Consumo

5

200

Devoluções
De Compras Para Industrialização, Produção Rural, Comercialização Ou
Anulações De Valores (Ajuste SINIEF 05/2005) (Decreto 28.868/2006)

5

400

Saídas
De Mercadorias Sujeitas Ao Regime De Substituição Tributária

5

500

Remessas
Para Formação De Lote E Com Fim Específico De Exportação E Eventuais
Devoluções (Ajuste SINIEF 09/2005)

5

550

Operações
Com Bens De Ativo Imobilizado E Materiais Para Uso Ou Consumo

5

650

Saídas
De Combustíveis, Derivados Ou Não De Petróleo E Lubrificantes

5

900

Outras
Saídas De Mercadorias Ou Prestações De Serviços

6

200

Devoluções
De Compras Para Industrialização, Comercialização Ou Anulações De Valores

6

400

Saídas
De Mercadorias Sujeitas Ao Regime De Substituição Tributária

6

500

Remessas
Com Fim Específico De Exportação E Eventuais Devoluções

6

550

Operações
Com Bens De Ativo Imobilizado E Materiais Para Uso Ou Consumo

6

650

Saídas
De Combustíveis, Derivados Ou Não De Petróleo E Lubrificante

6

900

Outras
Saídas De Mercadorias Ou Prestações De Serviços

7

200

Devoluções
De Compras Para Industrialização, Comercialização Ou Anulações De Valores

7

550

Operações
Com Bens De Ativo Imobilizado E Materiais Para Uso Ou Consumo


3. Agora
que já sabe o código correto, basta consultar a tabela CFOP de devolução.

Tendo conhecimento do tipo e da categoria, fica fácil saber qual CFOP usar.
Internautas do fórum do Contábeis estavam com dúvida com relação ao CFOP de
devolução. Para isso, a advogada especialista na área tributária e rotinas
fiscais, Camila Oliveira, responde a algumas dúvidas dos usuários do fórum.

FÓRUM CONTÁBEIS – Uma empresa emitiu uma nota de venda com CFOP e
precisa emitir uma NF-e de entrada, já que não é possível cancelar a NF-e de
venda. Qual CFOP deve usar para devolução de mercadoria?

CAMILA OLIVEIRA – O prazo de cancelamento de uma nota depende de cada
Estado, no Estado de SP o prazo de cancelamento via sistema é de 15 dias.

Se a NF-e foi emitida há menos de seis meses, o contribuinte deve solicitar ao
destinatário que se manifeste no documento fiscal sobre a não ocorrência ou
desconhecimento da operação, após a manifestação do destinatário sobre o
desconhecimento da operação ou que a mesma não ocorreu, o contribuinte deve
efetuar o cancelamento da NF-e diretamente no sistema.

Se a NF-e foi emitida há mais de 6 meses o emitente ou seu representante legal
deve protocolar junto ao Posto Fiscal de jurisdição, presencialmente ou por
meio eletrônico, pedido motivado de cancelamento extemporâneo da NF-e

Nas situações em que ocorre a devolução, tanto o destinatário como emitente do
documento podem emitir uma NFe de devolução para que a operação anterior seja
anulada, o emitente emite a nota de devolução principalmente quando a venda foi
realizada para uma pessoa física e não tenha se concretizado, logo se emite a
nota de devolução com uma CFOP de entrada.

CFOP de devolução de venda:

1.202 – Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros,
utilizado em uma nota de entrada, referente a uma devolução de venda”.

FÓRUM CONTÁBEIS – Qual a diferença entre os CFOPs 5102 e 5405?

CAMILA OLIVEIRA – A diferença entre estes dois códigos está na
tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ,CFOP
5.102 é tributado pelo ICMS na operação, e 5.405 a operação já foi tributada na
cadeia anterior, vamos entender:

5102 – Este código se refere à venda de mercadoria adquirida ou recebida de
terceiros e indica que a operação de venda é tributada com o recolhimento de
impostos.

5405 – Este código se refere a venda de mercadoria adquirida ou recebida de
terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição
tributária, na condição de contribuinte substituído.

Para que a emissão de uma NF-e seja feita com o CFOP 5.405 é imprescindível que
a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) do produto esteja sujeito a Substituição
Tributária do ICMS, logo o valor devido do ICMS foi retido e recolhido na etapa
anterior, logo devemos verificar se o produto está ou não sujeito ao ICMS ST para
utilização do CFOP 5.405, a NFe que for emitida este CFOP não será necessário
destacar o ICMS, porque, se uma vez adquirido uma mercadoria sujeita ao ICMS ST
que foi comercializado por terceiros na cadeia anterior já foi realizado o
recolhido do ICMS, logo não será necessário um novo recolhimento.

Fonte: Contábeis